Outra estação

Outra estação

Tudo na natureza é cíclico.

A chuva se precipita das nuvens, porque antes o sol evaporou a água dos rios, lagos, mares, elevando-a ao céu.

A semente guarnecida na terra, morre para que a vida da árvore possa florescer.

Mesmo o sol, nossa estrela amarela, um dia vai ser pagar e então se tornar parte de uma nebulosa, berço de novas estrelas.

As estações do ano são ciclos de vida, curiosamente comparáveis aos da vida humana.

A primavera é como infância florida cheia de magias.

O verão é quando a juventude ardorosa sente que pode mudar o mundo.

No outono caem as folhas da Ilusão.

E o inverno, anuncia o fim de um ciclo e início de outro.

Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta brasileiro, dizia querer numa outra estação. É a que depois do inverno desta vida, acolhe todos os seres e da qual retornaremos para uma nova primavera.

A vida humana é infinita diante do universo conhecido, que pode ter de 13 a 15 bilhões de anos.

Comparada ao calendário do cosmos, ela dura apenas alguns milésimos de segundos.

É muito pouco!

No entanto, a vida do espírito se estende para além do tempo dos homens.

Neste ciclo de inícios e reinícios, cada existência é como uma página do grande livro da vida.

Nada se perde, tudo evolui.

Então, não se desespere quando se anuncia o momento da despedida de quem você ama.

Será um até logo.

O mundo nos ilude; porque nossos sentidos, não alcançam senão um pequeno espectro da natureza.

Mas o coração sabe, sente, e iluminado pelo conhecimento não deixa de chorar a saudade. Mas também não deixa de ver no corpo que se cala, a porta da gaiola que se abre para que o espírito possa seguir viagem.

Enquanto nos movimentamos na realidade física objetiva, é imperioso acumular na consciência os tesouros do amor e da sabedoria.

Os únicos que poderão nos ajudar quando chegar o momento, e que servem sempre como passaporte para dias mais felizes, seja nesta, ou em qualquer outra estação.

O universo, é o livro da vida, no qual o espírito escreve sua história.

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