Criterios para…publicação de obras espiritas psicografadas, segundo Kardec

Mediunidade, obsessão e fascinação no medium, e no grupo mediunico.

Excerto do estudo realizado pelo "Espiritismo JG" e "Espiritismo em Kardec" Sobre os critérios para o controle do ensino espírita, conduzida por Kardec e publicada na Revista Espírita de Janeiro de 1862, tomando por referência a experiência e prática acumulada até à data, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.( 9-minutos )

Ruy Marcelo: -"... é importante não perder de vista, que um grupo inteiro pode mesmo fazendo as suas análises racionais, se iludir a respeito de certos sistemas ou opiniões pessoais dos espíritos com que se comunicam. Diante disso é que Kardec propõe a correspondência entre grupos diversos, que infelizmente é rara nos dias de hoje; para que sobre o mesmo assunto, haja a condição de fazerem os grupos a comparação, a análise comparativa. 

E Kardec encontrava mesmo entre muitos que se tinham como guias,  portadores de respostas contraditórias. É para a gente entender que os grupos não tinham maestria, como hoje ainda não tem, para dizer com absoluta certeza em que grau da escala um determinado espírito comunicante esteja.

É aquela advertência muito séria de Kardec de se deixar fascinar pela abundância de palavras, por este perfil sistemático a qual nos remeteu João, com boas explicações sobre o método científico. De ter ali os seus preconceitos, de ter ali os seus pequenos sistemas a priori, que vão encantando determinado grupo, a ponto de gerar essa suposição de que estão bem orientados, bem instruídos, e na verdade estão mistificados. Agente pensa que não, mas isso já gerou prejuízos em escala colectiva para todos aqueles que se dizem integrante do movimento Espírita, e que elegem como base Kardec.

Me refiro a um ponto que constantemente lembramos em nosso episódio, que é o abandono da técnica de evocação. De onde surgiu esse abandono da técnica de Evocação? Surgiu de um livro pela opinião pessoal de um espírito, por um médio que é muito querido, muito esforçado a seu tempo, inclusive para divulgação da Doutrina espírita (Justiça se faça) mas que deu publicidade por terceiros à opinião pessoal do espírito, a aceitar inadvertidamente essa opinião. 

De modo que o movimento Espírita salvo raríssimas excepções, desaprendeu o livro dos médiuns capítulo 25, sobre a técnica de evocar. Muitos médiuns que conhecemos hoje, por isso sequer mantém relações seguras com o seu anjo guardião, simplesmente não sabem quem são os seus Anjos Guardiões.

Qual a explicação disso? Nos cursos e na prática da casa Espírita nunca foram orientados a evocar. Então veja,  pode parecer um preciosismo muito grande da nossa parte ficar falando disso, como se o detalhe, o acessório, valesse mais que o principal, e o principal todos sabemos é a lei de Justiça amor e Caridade para o nosso progresso espiritual. Ponto unânime sem dúvida nenhuma, mas o que estamos falando pode influir no nosso aprendizado sobre essa lei e outras tantas, conforme nos deixamos fascinar, mistificar, ou não, por certas opiniões pessoais equivocadas. 

Então, é compreender que não estamos no campo do exagero, mas de uma opção clara, pelo discernimento, pelo bom senso, não é meus amigos? De entender que essa questão da Fascinação, ela é muito séria, e pode passar despercebida.

Mas  o que é que é a fascinação, a mistificação? Vamos falar disso, porque  é, segundo Kardec (não eu),  uma das principais dificuldades da mediunidade."

Erik: -"A fascinação como se esclarece no livro dos médiuns, vai-se dividir em tres tipos: Na obsessão simples, fascinação e subjugação.  Kardec definiu: Na obsessão simples, o espírito se intromete nas comunicações, mas o médium sabe com que tipo de espírito está lidando. Ele não se engana. Agora na Fascinação, o médium se ilude, se engana. Ele pensa que está tratado com um tipo de espírito, mas ele pensa que o espírito que ele está se comunicando, ele é elevado, mas não é.  E o espírito faz com que o médium se afaste do grupo, que não analise as comunicações. O médium recebe as coisas mais ridículas, mais sem lógica, e mesmo assim ele acha que está recebendo grandes coisas. Por isso é que é fascinação, desperta um fascínio no médium. Ele não consegue mais enxergar com clareza, com a razão. E isso é realmente um escolho na mediunidade. Na pratica o médium deve se manter atento contra isso,  e todos nós devemos nos manter atentos, porque mesmo sem ser médiuns, a gente pode acabar a idolatrando algum médium, e aí a gente passa a aceitar tudo que vem dele, sem questionar, sem passar pelo crivo da razão." 

João Gonçalves: -"Nenhum médium está livre de ser sujeito a uma destas variantes, quer da obsessão simples, quer da fascinação, quer da subjugação, ou até da possessão.  Um dos antídotos certos para isso, é exactamente nós podermos contra-restar um dos experimentadores, das pessoas que usam aquele canal mediúnico. O canal mediunico é como é! Cada medium, poderá melhora-lo, mas é um canal, é um instrumento. A afinação do instrumento para o medium sozinho, é muito difícil. Portanto precisa de ajuda de outros. Então aqui, os dialoga-dores, os treinadores, os orientadores que usam aquela ferramenta mediunica, são aqueles que podem ajudar a afinar essa ferramenta e impedi-la de entra em obsessão, em fascinação, em subjugação, por aí adiante. Como? Fazendo aquilo que o Ruy diz:  Evocação! Evocação, porque se a gente se puser na pacífica de que tudo o que sair no canal mediunico é sagrado, porque vem do outro lado do mundo é mais evoluido que nós, vamos nos dar mal. Vamos nos dar mal e vamos contribuir para que  o médium se vá obsediando. Ninguém põe em questão a produção dele, portanto ele começa a julgar que aquilo tudo que sai por ele sai bem e cada vez melhor, e tal como já o Eric ia dizendo, há aqui diferenças entre a obsessão e a fascinação. Na fascinação chega a intuir o medium que ele é que recebe sempre os melhores espíritos, na obsessão começa afastá-lo das críticas, e por isso se não houver um travão exterior,  o pobre do médium está tramado. Embora ele se julgue o maior, mas é um pobre.

Mas também também temos responsabilidade. Quem usa o instrumento mediúnico tem responsabilidade. Tem responsabilidade de sujeitar à crítica todas as mensagens. De pôr o medium ao corrente nem que seja após cada sessão, porque nem todos os médiuns são conscientes exactamente da sua produção. De torna-los conscientes do que produziram, e a seguir todos criticarem e poderem ajudá-lo,ajudá-lo a sair disso."

Revista Espirita de Janeiro de 2862 : https://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1862.pdf

"Controle do Ensino Espírita
...
Se por vezes os sistemas são produtos dos cérebros
humanos, sabe-se que, a tal respeito, certos Espíritos nada ficam a
dever. Com efeito, vêem-se alguns que engendram as mais absurdas
idéias com maravilhosa habilidade, encadeando-as com muita arte
e delas fazendo um conjunto mais engenhoso que sólido, mas que
poderia falsear a opinião de pessoas que não se dão ao trabalho de
aprofundar, ou que são incapazes de o fazer pela insuficiência de
seus conhecimentos. Sem dúvida as idéias falsas acabam caindo
ante a experiência e a lógica inflexível; mas, antes disso, podem
lançar a incerteza. Também é sabido, conforme sua elevação, que
os Espíritos podem ter, sobre certos pontos, uma maneira de ver
mais ou menos justa; que as assinaturas das comunicações nem
sempre são uma garantia de autenticidade, e que os Espíritos
orgulhosos procuram, às vezes, fazer passar utopias, protegidos por
nomes respeitáveis, com os quais se paramentam. É,
incontestavelmente, uma das principais dificuldades da ciência
prática, e contra a qual muitos se chocaram.
Em caso de divergência, o melhor critério é a
conformidade dos ensinos por diferentes Espíritos e transmitidos
por médiuns completamente estranhos entre si. Quando o mesmo
princípio for proclamado ou condenado pela maioria, é preciso
dar-nos conta da evidência. Se há um meio de chegar à verdade,
seguramente é pela concordância e pela racionalidade das
comunicações, auxiliadas pelos meios que temos à nossa disposição
para constatar a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos. Ao
deixar de ser individual para se tornar coletiva, a opinião adquire
um maior grau de autenticidade, já que não pode ser considerada
como resultado de uma influência pessoal ou local. Os que ainda se
acham em dúvida terão uma base para fixar as idéias, porquanto
será irracional pensar que aquele que em seu ponto de vista está só,
ou quase só, tenha razão contra todos.
O que acima de tudo contribuiu para o crédito da
doutrina de O Livro dos Espíritos foi precisamente o fato de ser ela
o produto de um trabalho semelhante, que repercute em toda parte.
Como o dissemos, nem é obra de um único Espírito, que poderia
ser sistemático, nem de um único médium, que poderia ser
enganado, mas, ao contrário, um ensino coletivo, dado por uma
grande diversidade de Espíritos e de médiuns, e os princípios que
encerra são confirmados mais ou menos por toda parte. Dizemos
mais ou menos considerando que, pela razão acima explicada, há
Espíritos que procuram fazer prevaleçam suas idéias pessoais. É,
pois, inútil submeter idéias divergentes ao controle que propomos.
Se a doutrina ou algumas teorias que professamos fossem
reconhecidas unanimemente como errôneas, submeter-nos-íamos
sem murmuração, sentindo-nos felizes que outros tenham
encontrado a verdade; mas se, ao contrário, elas forem
confirmadas, hão de permitir creiamos estar com a verdade.
A Sociedade Espírita de Paris, compreendendo toda a
importância de semelhante trabalho e tendo, ela mesma, primeiro
que se esclarecer e depois provar que não pretende absolutamente
arvorar-se em árbitro absoluto das doutrinas que professa,
submeterá aos diversos grupos que com ela se correspondem as
questões que julgar mais úteis à propagação da verdade. Essas
questões serão comunicadas, seja por correspondência particular,
seja por intermédio da Revista Espírita.
JANEIRO DE 1862

Assista à sintese completa clicando na janela abaixo. ( 31- minutos )

Ou assista ao estudo completo no canal espiritismo JG, através do link: https://www.facebook.com/espiritismojg/videos/340877456932256/

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